Historia: Legião Urbana

  Renato Manfredini Jr. nasceu no Rio de Janeiro, em 27 de março de 1960. Morou varios anos com a familia em Brasilia, onde se formou em jornalismo. Antes de chegar ao show business, foi reporter e lecionou inglês. Adotou o “Russo” de seu nome artistico em homenagem ao pensador frances Jean-Jacques Rosseau, ao pintor Henri Rousseau e ao matematico e filosofo ingles Bertrand Russel.

  Renato Russo começou a se embalar definitivamente entre os acordes distorcidos das guitarras no final dos agitados anos 70, na capital Federal, com o grupo Aborto Eletrico, experiência punk substituida pelo Legião Urbana, que formou com Marcelo Bonfa, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, o Negrete (que logo depois se desligou do grupo). O primeiro LP, homonimo a banda, lançado em 1984, emplacou sucessos ate hoje executados nas radios, como “Soldados”, “Ainda é cedo” e a ja classica “Geração Coca-Cola”.

  Enquanto a banda conquistava mais e mais fãs, Renato ia marcando presença no cenario musical não apenas como letrista e cantor, mas como cidadão participante. Sua sempre instigantes, as vezes controversas visões de mundo, suas multifacetadas experiencias de vida, sua luta contra os excessos de alcool e drogas e sua condição de homossexual assumido, tudo isso delineou, ao lado de uma genuina rebeldia, o mito Renato Russo. Que sempre tinha o que dizer sobre politica, comportamento, musica, literatura e, claro, o trinomio sexo, drogas e rock ‘n’ roll. Nada escapava ao crivo de suas opiniões, impregnadas de traços que conformavam o imaginario das frações mais criticas e indignadas (nem por isso menos romanticas) de sua geração. E não ficava apenas no discurso por uma sociedade mais justa e fraterna. Em 1994, ele doou metade da receita obtida com a venda do cd ‘The Stonewall Celebration Concert’ para a Ação da Cidadania contra a Miseria e pela Vida, liderada pelo sociologo Herbert de Souza (Betinho).

  Renato Russo morreu no Rio de Janeiro, em 12 de outubro de 1996, por complicações decorrentes da Aids. Segundo um dos medicos que o assistiam, era soropositivo desde 1990. Ao Contrario de Cazuza, Renato jamais admitiu publicamente ser portador do virus HIV. Mas nos belos versos de “A via-láctea”, incluida no cd A tempestade, ele traduziu, numa auto-referencia poetica, ja presente no titulo do disco o sofrimento que por certo lhe varava a alma:

  “Quando tudo esta perdido/Sempre existe um caminho/Quando tudo esta perdido/Sempre existe uma luz/Mas não me diga isso/Hoje a tristeza não é passageira/Hoje fiquei com febre a tarde inteira/ E quando chegar a noite/Cada estrela parecera uma lagrima/Queria ser como os outros/ E rir das desgraças da vida/Ou fingir estar sempre bem/Ver a leveza das coisas com humor/ mas não me diga isso/É so hoje e isso passa/So me deixe aqui quieto/Isso passa/Amanhã é um outro dia não é/Eu nem sei por que me sinto assim/Vem de repente um anjo triste perto de mim/E essa febre que não passa/E meu sorriso sem graça/Não me de atenção/Mas obrigado por pensar em mim/Quando tudo esta perdido/Sempreexiste uma luz/Quando tudo esta perdido/Sempre existe um caminho/Quando tudo esta perdido/Não quero mais ser quem eu sou/Mas não me diga isso/Não me de atenção/E obrigado por pensar em mim.”


  Renato passou os ultimos dias recluso em seu apartamento numa rua arborizada de Ipanema, acompanhado apenas pelo pai e por um enfermeiro. ja se recusava a prosseguir o tratamento a base de coqueteis de drogas. Seu corpo foi cremado, conforme ele desejava, e as cinzas espalhadas nos jardins do paradisiaco sitio do paisagista Roberto Burle Marx, na zona oeste da cidade.

  A expressiva discografia do Legião Urbana inclui: Legião Urbana (1984), 550 mil copias; Dois (1986), 1,1 milhão de copias; Que pais é este (1987), 770 mil copias; As quatro estações(1989), 1,1 milhão de copias; V (1991), 465 mil copias; Musicas para acampamento (1992), 270 mil copias; O descobrimento do brasil (1993), 430 mil copias; A tempestade ou o livro dos dias (1996), 400 mil copias.

  A obra de Renato Russo, um legado de genialidade poetica e de integridade artistica, permanecera atual, influente e inesquecivel. Principalmente para aqueles tantos homens e mulheres que, como ele,creem que “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.